INCOMPATIBILIDADE DE NEURÔNIOS

Loja de discos especializada é outro papo! Descobri isso recentemente. Estava em uma cidade do interior de São Paulo (cidade relativamente grande) e, como viciado em música que sou, resolvi entrar em uma loja de discos. Vendo de fora, o lugar era até legal, tinha um visual bacana e bem característico. Nada a ver com aquelas lojas meia-boca que costumam pendurar violões e guitarras de marcas duvidosas no teto.

Quando entrei, me deparei com prateleiras forradas de CDs e DVDs diversos. Pela rápida varrida de olho, vi que havia uma variedade razoável de bandas de rock (nacionais e internacionais). O som ambiente, por sinal, era Nirvana. Beleza, essa aqui parece boa, pensei comigo mesmo. Porém... 

Bom, antes da bomba, deixa eu explicar. Tenho andado com mania de umas bandas da NWOBHM – sigla horrível, que quer dizer 'New Wave of British Heavy Metal'. Traduzindo: geração com a qual surgiram nomes do tipo Iron Maiden, Def Leppard, Motörhead e Saxon. Ultimamente, tenho revisitado os discos do Saxon dos anos 1980, os quais só tenho em vinil e estou com vontade de arrumar em CD. Resolvi arriscar procurar nessa loja o 'Rock the Nations', uma obra-prima do grupo inglês, de 1986. E é aí que entra o "porém".

Fiquei com preguiça de vasculhar as prateleiras e fui até o balcão, mesmo porque, apesar da aparente variedade de títulos, organização parecia não ser o forte do local. Na hora que vi a atendente, já me veio aquela sensação de que algo não estava certo. Ela tinha uma cara de tribufu crônica. Ou seja, de quem não tinha a menor ideia do que fazia ali. Mas, vamos que vamos! Perguntei a ela se havia algum CD do Saxon.

- De quem? – Fez aquela expressão de interrogação.
- Saxon, uma banda de heavy metal.
- Ai, moço, sei não! Xovê aqui – E começou a fuçar no computador que estava no balcão. Olhou, olhou e nada... nada de uma resposta.
- E aí? – Perguntei.
- Ai, num tô achando não isso aí. Como é o nome mesmo? – Nessa hora, fiquei curioso para saber o que ela tinha procurado, já que não "lembrava" o nome.
- Saxon.
- Ah, é! Sazón.

Apesar da raiva, insisti:

- Não é Sazón. É Saxon. S-a-x-o-n – Soletrei (quase perguntei se ela queria que eu desenhasse para facilitar).
- Ahnn... – Reagiu como se tivesse realmente entendido e voltou a procurar no computador.
- Sa... Sa... Sa... Saz... Sazzz...
- Mas não é "saz", com Z. É Saxon, com X!
- Ah, ta!

Vi que não ia rolar mesmo e resolvi arriscar pela última vez. Escrevi em um papel o nome da banda e entreguei a ela.

- Ah, ta! 'Sachôn'.
- Isso, é essa mesmo - Desisti de vez!
- Certo! Um minutinho...

E foi então que ela me dá um grito para o outro funcionário de lá:

- Ô, Cleber! Tem CD dessa banda aqui, ó: SAZÓN?

É claro que não encontrei disco algum. Saí de lá matutando seriamente sobre como a mediocridade é foda. Foda demais! Se já foi complicado entender Saxon, imagine se eu quisesse comprar algum do Lynyrd Skynyrd. Acho que daria um nó, e cego, na cachola oca da tal atendente.

Henrique Inglez de Souza

Comentários

  1. Mediocridade, preguiça de pensar, folga, ignorância ou todas as anteriores? Já escrevi sobre o tema e de fato, tenho vontade as vezes de partir pro tabefe, pois essas características despertam meus instintos mais primitivos. Abração!

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  2. Pois é, Marcia! É justamente com pessoas medíocres que testamos se realmente somos pessoas pacientes. Pode até ser que achemos ser, mas tem uns aí que são de derrubar o peão do andaime. Abraçossss :)

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  3. Essas atendentes geralmente passam o dia inteiro mexendo no Orkut e msn ¬.¬ Já passei por algo parecido também.

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  4. É foda. Mas ter alguém que não entende p**ra nenhuma te atendendo é um bom exercício para monge budista.

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  5. Não entendo como alguém que consegue falar "rapadura" não consegue falar "saxon".

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