Judas Priest: o guitarrista Glenn Tipton com Mal de Parkinson
Uma época sucumbe à erosão do tempo, e assim se desmancha
vagarosa e constantemente. A notícia de que Glenn Tipton tem Mal de Parkinson trouxe
choque e comoção a muita gente – incluindo a mim. O Judas Priest, outro pilar do
rock/metal mundial, sofre uma dura baixa e se complica com o futuro (tal quais
AC/DC, Deep Purple, Black Sabbath, Slayer).
Embora tenha descoberto a doença há quatro anos (e que
provavelmente já convive com ela há cerca de uma década), o guitarrista inglês só
revelou ao público em 2018. Disse que deixará de fazer turnês, incluindo a
atual, que promove o mais novo álbum, Firepower. "Não é o fim para mim", garantiu
numa nota postada no site do grupo em março. "Ainda serei capaz de compor e
gravar, e ainda, nos dias bons, de me juntar à banda no palco para tocar
algumas músicas."
Pelo menos uma dessas promessas já foi cumprida: a
aparição no show de 19 de abril, na Califórnia, para um bis com Metal Gods, Breaking the Law e Living After Midnight. Do alto de seus 70 anos de vida, Tipton se
mostra otimista, especialmente em relação à carreira. "Com os novos
medicamentos e os avanços que vêm sendo feitos, quem sabe o que o futuro
reserva? Mas uma coisa é certa: incluirá o Priest!"
É claro que torcemos para que dê tudo certo em seu
tratamento. Contudo, sabemos o quão impactante a situação é em relação à continuidade
do Judas Priest – continuidade com magia e brilho, já bastante
comprometidos sem o guitarrista K.K. Downing (que se retirou de cena em 2011).
Glenn Tipton não é um membro fundador do Judas Priest, mas ao
mesmo tempo é – sacou? A banda surgiu em 1969, e ele só passou a fazer parte do
time em maio de 1974, durante as gravações do disco de estreia (o rústico Rocka
Rolla). Acontece que seu estilo combinou perfeitamente com o de Downing e dos
demais integrantes. Sua guitarra tornou-se parte da essência do quinteto. Ou
seja, Tipton foi um dos caras que fundaram o som imbatível do Judas.
Em 2009, tive a chance de entrevistar ambos, K.K. Downing e
Glenn Tipton, para a revista Guitar Player. Conversamos sobre o então novo
trabalho, Nostradamus. Perguntei ao Tipton quais são os álbuns do Judas com os
melhores timbres de guitarra, e ele me respondeu:
"Os discos são como capítulos no livro do Judas Priest.
Depois de 30 anos, deveria ser fácil conseguir timbres, mas nem sempre é, pois
tentamos sempre capturar o feeling do disco, e eu sou um perfeccionista.
Poderia dizer que British Steel, Painkiller e Turbo são três bons exemplos dos
diferentes sons de guitarra da banda."
Força, Tipton!
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